O som
voltando pra casa no inihcio da madrugada, o som dos passos ritmados batendo no chao. das pernas da calça roçando uma na outra. depois de bebida a cerveja, da conversa... de respirado do ar da vida, a abençoada volta pra casa.
no caminho, depois de deixar as donzelas em casa, a gente se poe a pensar na vida, escutando o som dos proprios passos sobre um chao muito vivo, em como eh maravilhoso voltar para uma casa, ter feito coisas na rua, saber q existem pessoas no mundo q identificam sua figura, associam essa figura a um nome, q lhe eh muito caro, associam a essa gama de caracteristicas, outras caracteristicas, q lhe saum proprias e q compoem o q chamamos de Eu.
no caminho, existe um bar. um bar q ainda naum fechou, mas jah tem cara de fim de noite. todos sabem q naum vai durar muito ainda. existe esse bar, onde cinquentoes bebem suas ultimas cervejas, vivendo, mas eles tem a consciencia de a vida jah se foi mais q a metade. existe menos caminho pra percorrer ateh a morte, do q o q foi percorrido em vida. e nesse momento, eles se poem a pensar "na vida". como eh boa a vida, "mas eh muito dura, eh uma batalha". essas palavras ecoam em minha mente, e como batem e rebatem! mas eh um som maravilhoso q vem do bar. eh uma celebraçaum sincera, legitima. de quem conhece a vida e se agarra a ela, na mesma proporçao com que fica sabendo q eh melhor ir se desacostumando aos poucos. mas o som, eh um som de riso, de bate-papo pelo simples prazer da conversa. eh um som de sono, com vontade de ficar mais.
quando eu era criança e ia pros bares com familia, acabava dormindo, pq havia conversas interminaveis, emocionadas as vezes, alegres ou inuteis, eram conversas de bar, de vida. eu ouvia cada vez mais longe a conversa, jah naum importava o q falavam, eu tinha a tranquilidade de saber q estavam todos ali, vivendo. hj, jah naum existe tal uniao, nossas conversas jah naum duram tanto. eu continuo fazendo o papel da criança e as vezes durmo, as vezes durmo o dia inteiro, semanas.
no caminho, tinha uma festa em uma casa. "pega uma saidera aih pro tio!", qtas vezes eu ouvi a palavra "saideira". quantas vezes numa mesma noite! as saideiras interminaveis saum um indicio de q o papo esteve bom na noite, naum se quer abandonar o momento magico. a fragilidade das vidas passa pelo bar dos cinquentas, pelo tio da saideira, pelo sobrinho q busca a cerveja com sono, pelo rapaz q passou por todos esses caminhos.
Em todos esses bares de vida, passarei eu!

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