domingo, fevereiro 17, 2008

Há doenças piores que as doenças, Há dores que não doem, nem na alma Mas que são dolorosas mais que as outras. Há angústias sonhadas mais reais Que as que a vida nos traz, há sensações Sentidas só com imaginá-las Que são mais nossas do que a própria vida. Há tanta coisa que, sem existir, Existe, existe demoradamente, E demoradamente é nossa e nós... Por sobre o verde turvo do amplo rio Os circunflexos brancos das gaivotas... Por sobre a alma o adejar inútil Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo. Dá-me mais vinho, porque a vida é nada. Isso, é do Fernando Pessoa, claro. Álvaro de Campos, claro. Mas lembra de uma certa forma Manuel Bandeira, na verdade um poema do Bandeira: O Último Poema. Tem um verso - "A paixão dos suicidas que se matam sem explicação", que mexe comigo. Quem de nós nunca flertou com a própria morte, como uma proposta tentadora e doce? Alguns bem menos que outros. Outros enxergaram nessa saída uma saída de emergência, que poderia ser usada quando a coisa apertasse, se apertasse de uma maneira intolerável. Por incrível que pareça, essa maneira de adiar o suicídio salvou a vida de muita gente, talvez a minha. Dar tempo ao tempo. Para mim, foi melhor assim. Não sei quanto a vocês, mas para mim nunca foi uma insatisfação ou tristeza hormonal, mas uma angústia filosófica e total e completa dissonância em relação aos meus pares. Não é um sentimento de superioridade, entendam. É olhar à sua volta e tudo ser alheio, tudo estar ao contrário e ser tudo ócio, peso, descrença. É olhar as mãos e não ver nem traço seu. Me pergunto: qual a diferença, a real diferença, entre o suicídio que leva anos e o que leva minutos? Teimosia, coragem, paixão? Amor?

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo que eu quis
Confesso a minha dor...

E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal...

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...

E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...

7:37 PM  

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