terça-feira, setembro 28, 2004

um terraço. noite alta. o som da cascata. sobre a piscina o brilho lunar. e os olhares? EXPLOSAO!
vinho tinto manchando a lua branca
Subversao do verbo
Subversao dos fatos
Chegaram duas meninas, feias coitadas. E porque o menino estava sozinho os que estavam a mesa acharam que ele provavelmente se sentia abandonado, solitario talvez? alguem que busca o amor e nunca o encontra?
Ele riu-se em silencio pois sabia que as pessoas todas estavam sozinhas e mesmo ausentes de si mesmas. E viu a necessidade que umas tem das outras, de se apoiar. As duas meninas buscavam em quem se apoiar, e todas duas riam para ele, elogiavam, pediam, cantavam e , cada qual a seu modo buscava sua atençao.
O menino sabia dos comentarios das pessoas no circulo da mesa. as pessoas achavam melhor se apoiar em cerca podre que ficar de pe por conta propria. ele abraçou uma menina, alisou seus cabelos, a envolveu em encanto ate que todos na mesa pensassem que ele se deixara seduzir pelo tedio e no entanto, nada fez, deixou que o encanto se dissolvesse da forma mais branda possivel, ridicula, diplomatica. descarte? de forna alguma, ele teve delas o melhor que elas poderiam oferecer-lhe, uma grata homenagem a seu eu externo. como a bela do salao, no domingo, que queria um beijo seu. Ele a tentou, como naum se atenta a ninguem. A fez dcsejar-lhe mais e mais apenas se evadindo, como agua... um beijo rapido na saida, frio como a morte!
seu espirito naum, estava bem longe
"Sonata ao Luar opus 27 em Do sustenido menor em homenagem a condessa Giulietta Giucciardi"
onde a lua naum se mancha
ou ja se manchou
pois se mancharia
de qualquer
F O
r
M A
a clareza de tua face, o brilho de teus pensamentos quase infantis e tudo o mais que naum ha.
o etereo eh a unica concreta.
explorar o espaço vazio q existe em nos.
fome de voce. fome eterna.
eta fome eterna! e saudade!
desconfio, apenas desconfio, q vc sabe meu nome!
chapaçao eterna. brilho eterno.
Luz eterna, naum era isso que eu tinha?
Qualquer um que diga que naum sabe o que eh amor, naum viu tua face enrubescer debaixo de teus olhos.

sábado, setembro 11, 2004

O Caminho da Direita

kem ker uma coisa deve querer apenas aquilo ateh q todas as suas celulas e seus poros arrepiem para aquilo, na direçao daquilo. vontade dispersa eh vontade vaga eh vontade nula PENSAR EH FACIL FAZER EH DIFICIL teu fazer deve vir de cima pra baixo, naum te motives por fraqueza naum te motives por baixeza um prego rombudo, rarefeito, sem uniformidade nem ponta firme naum perfura nem madeira podre, naum eh nem um prego. Liberdade eh controle Liberdade eh ordem Liberdade eh disciplina Liberdade eh Vontade O filho nao deve gozar da liberdade conseguida pelo pai ainda ha muita Liberdade ao longe! Ao longe vejo Luz! e ai de quem pronunciar o nome do filho da Luz ainda mais nos dias de hoje. Como se sabe que a primavera esta chegando? Pelos sinais

sábado, setembro 04, 2004

O som

voltando pra casa no inihcio da madrugada, o som dos passos ritmados batendo no chao. das pernas da calça roçando uma na outra. depois de bebida a cerveja, da conversa... de respirado do ar da vida, a abençoada volta pra casa. no caminho, depois de deixar as donzelas em casa, a gente se poe a pensar na vida, escutando o som dos proprios passos sobre um chao muito vivo, em como eh maravilhoso voltar para uma casa, ter feito coisas na rua, saber q existem pessoas no mundo q identificam sua figura, associam essa figura a um nome, q lhe eh muito caro, associam a essa gama de caracteristicas, outras caracteristicas, q lhe saum proprias e q compoem o q chamamos de Eu. no caminho, existe um bar. um bar q ainda naum fechou, mas jah tem cara de fim de noite. todos sabem q naum vai durar muito ainda. existe esse bar, onde cinquentoes bebem suas ultimas cervejas, vivendo, mas eles tem a consciencia de a vida jah se foi mais q a metade. existe menos caminho pra percorrer ateh a morte, do q o q foi percorrido em vida. e nesse momento, eles se poem a pensar "na vida". como eh boa a vida, "mas eh muito dura, eh uma batalha". essas palavras ecoam em minha mente, e como batem e rebatem! mas eh um som maravilhoso q vem do bar. eh uma celebraçaum sincera, legitima. de quem conhece a vida e se agarra a ela, na mesma proporçao com que fica sabendo q eh melhor ir se desacostumando aos poucos. mas o som, eh um som de riso, de bate-papo pelo simples prazer da conversa. eh um som de sono, com vontade de ficar mais. quando eu era criança e ia pros bares com familia, acabava dormindo, pq havia conversas interminaveis, emocionadas as vezes, alegres ou inuteis, eram conversas de bar, de vida. eu ouvia cada vez mais longe a conversa, jah naum importava o q falavam, eu tinha a tranquilidade de saber q estavam todos ali, vivendo. hj, jah naum existe tal uniao, nossas conversas jah naum duram tanto. eu continuo fazendo o papel da criança e as vezes durmo, as vezes durmo o dia inteiro, semanas. no caminho, tinha uma festa em uma casa. "pega uma saidera aih pro tio!", qtas vezes eu ouvi a palavra "saideira". quantas vezes numa mesma noite! as saideiras interminaveis saum um indicio de q o papo esteve bom na noite, naum se quer abandonar o momento magico. a fragilidade das vidas passa pelo bar dos cinquentas, pelo tio da saideira, pelo sobrinho q busca a cerveja com sono, pelo rapaz q passou por todos esses caminhos. Em todos esses bares de vida, passarei eu!

quinta-feira, setembro 02, 2004

Automatizaram o bordel

Em meus sonhos de moleque, de novelas, de filme, de ouvir histohrias, o bordel seria um lugar de farra, de bebida, jogatina, musica rolando... Seria uma casa com luz vermelha na entrada e, la dentro, odaliscas circulando pra baixo e pra cima em roupas minimas e sorrisos maximos. Um lugar onde se iria curar o mal que eh uma semana inteirinha de trabalho. Onde se escutaria musica, se beberia, diria bobagem a plenos pulmoes e, qdo se cansasse do social, escolheria uma menina e subiria pra um dos quartos de taum distinta casa, para um repouso merecido. Um repouso de alma, claro.
Cedendo aos convites ininterruptos de um amigo, fui conhecer um bordel moderno. Q choque! q decepçao. somos recebidos logo na porta, por seguranças q mais parecem aqueles vigias da Nova Brasilia, querendo saber se alguem tah pensando em roubar um biscoito. Carteirinha de D.C.E. na maum (vale mais q identidade), adentramos o malfadado local, inferninho. Corredores estreitos lotados de homens q andam a passos miudos, em fila, tomando um cuidado enorme pra naum se esbarrar, tal qual peças em uma esteira. Parece a Missao, banguelos, suados, trabalhadores, garotoes empolgados, todos no mesmo passo. Cheiro de incenso maldito, macumba industrial. Portas e mais portas demulheres para todos os gostos e bolsos, um entra e sai sem fim. As mulheres exibindo seus corpos no batente da porta, torcendo pra que naum seja um aleijado o proximo consumidor. Naum sei naum, mas eu tive a impressao q o q os clientes comem eh a alma dessas meninas. Chega uma hora em que se acostuma e se passa a ver aquilo ali como uma coisa normal, e nem se olha tanto. Como alguem pode se sujeitar a tanto? ou melhor, a taum pouco? lah fora, haveria de ter um mundo, quem seriam essas mulheres no mundo lah fora? seus sonhos, planos... lah dentro, eram mahquinas. maquinas de sexo q funcionam como um fliperama, um videoke, uma sessao de cinema q passa um filme ao gosto do fregues.
Podem me chamar do q for, mas pra mim naum deu. naum vi graça, naum vi cor, naum vi festa, soh degradaçao, imundicie. diversao para almas pequenas. TUDO VALE A PENA, SE A ALMA EH PEQUENA, como disse nosso querido Fernando Pessoa. eu iria acabar sentado na cama conversando.
Na saida, aceso o inevitavel cigarro de depois do prazer, prazer de naum ter feito nada.